quarta-feira, dezembro 11

GUINE - BISSAU PAÍS ONDE NADA FUNCIONA

  

Como é alarmante a situação da Guiné-Bissau, basta vermos o funcionamento das ditas "instituições" legalmente constituídas, que hipoteticamente, deveriam demonstrar a existência do estado e que, da mesma forma, deveriam exercer, na medida de suas atribuições o papel de representar a população que os elegem democraticamente (contrato social do celebre Jean-Jacques Rousseau).  


No entanto, é sabido que a fragilidade das instituições deu azo à escancarada onda de impunidade e a desacreditação total nos órgãos estatal, também, não é por menos, basta vermos a seguinte noticia veiculada nesta semana:


"Tribunal de Contas da Guiné-Bissau, Nunca Julgou nenhuma conta durante os 21 anos da sua criação".


Palmas, Palmas, mais Palmas para este país exemplo! Quem não conhece deduzirá que não há corrupção, que ordem social é plena etc, etc, etc. 


A resposta para esta afirmação lamentável, é que excelentíssimos senhores juízes membros daquele tribunal, são pagos há 21 anos sem trabalhar, pois órgão que deveria exercer sua função de fiscalizador das contas pública anuncia sua própria omissão, isto é desesperador e inaceitável.

Da mesma forma sabemos que o Ministério Publico, Tribunal superior e a Procuradoria geral da Republica tem suas atuações limitadas, as vezes pela conivência de seus membros, ou, por vezes, falta a coragem de exigir a aplicação da lei.

Pergunto será que ainda vamos assistir a prisão de pessoas corruptas, de transgressores da lei, dos assassinos, dos estelionatários, etc?Quando?


Enfim, me parece que a Guine-Bissau precisa de uma educação forte, mudanças ideológicas, a estabilização da ordem, instituições independentes e pessoas preparadas, creio que só assim teremos a certeza de que algo funciona naquele país.

segunda-feira, dezembro 9

FATOR PREVIDENCIÁRIO - O FATOR DA DESAPOSENTAÇÃO

O fator previdenciário,  foi criado pela Lei n. 9876/99, aplicado no cálculo de benefícios da aposentadoria por idade e aposentadoria por tempo de contribuição nos termos do Art. 32, § 11, do Regime da Previdência Social.

O instituto trouce duas principais consequências na sua aplicação:

(1º) – A Diminuição do salario de Beneficio para quem resolve se aposentar de acordo com as regras anteriores;
(2º) – A majoração do valor do beneficio para quem retardar a aposentadoria, porque computará um tempo de contribuição maior e receberá a cobertura previdenciária por um período menor.

O fator previdenciário pode ser inferior ou superior á unidade. Se superior, irá melhorar o beneficio do segundo, desde que sua media esteja abaixo do teto. Se inferior, o fator irá reduzir o beneficio do segurado. Sem dúvida, é grande desestimulo á aposentação precoce.


A consequência do fator ocasionou o surgimento da figura de desaposentação, pois aquelas pessoas já aposentadas verificando a redução da sua renda, requererem do Estado sua readmissão no mercado de trabalho, ou seja, solicitando a revogação da aposentadoria.  Com a nova contribuição, e mais idade no serviço, conseguem assim, melhorar sua situação econômica.
 Também resulta, por outro lado, na dificuldade de se renovar as vagas de trabalho, haja vista que atualmente as pessoas pensam duas vezes antes de pleitear sua aposentadoria, mesmo sabendo que já preencheram os requezitos necessários para aquisição do beneficio.
Deparamos constantemente com a dificuldade dos jovens em conseguir primeiro emprego, haja vista que sujeito com mais idade já conhece a linha de produção e as empresas geralmente apostam mais na experiencia, situação essa que afeta o siclo do mercado.
Em suma, conclui-se que o prejuízo na utilização do fator no cálculo das aposentadoria é clara, por isso, creio que já está na hora da aplicação da Formula 85/95 em discussão no congresso, onde a contagem do tempo de contribuição e da Idade do sujeito, quando somados precisa ser 85 para Mulher e 95 para Homem, só assim seria possível a integralidade do beneficio.
Assim, entendo que este novo projeto, uma vez discutida e  aprovada,  talvez, possa ser a solução mais justa para patrimônio dos contribuintes e da previdência. 

sexta-feira, dezembro 6

LEGADO - MANDELA




Todos já conhecem a história e as conquistas de NELSON ROLIHLAHLA MANDELA, no entanto, tento através deste texto reportar a importância e a inspiração deste senhor na minha formação, como advogado, negro e Africano.

É sabido que a África, continente que assistiu o apartheid, vive constantemente em Guerras, também convive com Estadistas ingênuos e pobres no intelecto, imaginemos que maior exemplo da historia contemporâneo, assiste, tristemente, a frequente derrubada de governos e nada pode fazer para estancar tais ocorrências.

A lição deixada pela historia que trilhou, poucos tiveram a coragem de percorrê-lo, pois sabiam que era a formula longa e demorada, porem é a mais efetiva e douradora. Tivemos vários ditos “lideres” na África, e maior parte deles, optaram em combater as divergências com uso de força e de armas.

Verifica-se que o continente africano tem desperdiçado suas energias de forma mais primitiva possível, haja vista que um simples debate politico ou divergência de ideias corriqueiramente termina em conflito armado. Como pode!!! Sabemos que para conseguir a união de Brancos e Negros, na África do Sul, custou vidas e mais vidas, nisso aparece MANDELA, Advogado, sujeito que presenciou tais massacres, decidiu-se em escolher o método quase impossível e que ninguém acreditou que poderia triunfar, mesmo assim, ele usou a força das palavras para combater o extermínio dos povos.

Assim, com muito orgulho, transcrevo o legado de senhor Madiba em relação a minha formação, meus valores, meus princípios e a minha convicção em acreditar que HOMEM é aquele que usa a inteligência, a sabedoria, a equidade e a disciplina como arma nas suas batalhas.

OBRIGADO MANDELA.

Maringá, 06 de dezembro de 2013.



 



quinta-feira, dezembro 5

UNIDADE, LUTA E PROGRESSO

UNIDADE, LUTA E PROGRESSO    
  

INTRODUCÃO



A população da Guiné-Bissau passa por uma crise existencial: a sensação de que no passado se vivia melhor. Porem a história e as estatísticas, no entanto, mostram que nunca teve uma vida próspera naquele país.

 As pessoas vivem menos, têm menos acesso à educação e, o impensável é que os desejos mais extravagantes baseada no consumo se realizam como nunca.

Quarenta anos atrás, os objetivos pos-independencia residem na falsa sensação de ser dono de si. Hoje, restou o sentimento de que temos alguns incompetentes, travestidos do que a população chama de “QUADROS”, que não tem a mínima instrução pratica, pouca sensibilidade e a patente falta de espírito de boa governança. No entanto, por outro lado, verifica-se que também temos aqueles que sofrem da impotência, ou seja, aqueles que querem ajudar, mas se sentem privados, furtados, proibidos, ameaçados e impedidos de realizar suas ações.

 Apesar de todos esses avanços e desavanços, podemos identificar que na nossa Bandeira Nacional existem três frases instigadoras, são elas UNIDADE, LUTA E PROGRESSO, que consagrou a unidade nacional e extirpou os imperialistas do século passado. O paradoxo que se denota, é a sensação crescente de que tudo o que se conquistou com lema acima mencionado, hoje, não passa de um simples TEXTO, sem o mínimo axiológico. Segundo Henri Bergson “O Olho vê somente o que a mente esta preparada para compreender”.

Em seguida, passo a discorrer sobre o conceito axiológico destas três (3) belas e delicadas frases tatuadas na nossa bandeira nacional.

1.     UNIDADE
 
 A palavra Unidade tem origem no termo latim “unitas” e designa a qualidade do que é único ou indivisível, e ficou consagrado na carta maior da republica da Guiné-Bissau no seu artigo 1º:
A Guiné-Bissau é uma República soberana, democrática, laica e UNITÁRIA.

 Frase esta, que significou inicialmente para os guineenses, a profunda conexão com passado histórico, isto é, momento em que se deu a mobilização de indivíduos para luta armada, estes que sabiam claramente que a maioria deles não sobreviveria na batalha, mas na esperança de futuro melhor para gerações supervenientes, se doaram e nos trouxeram a consciência de agir uns para com os outros em espírito de união e fraternidade.

Infelizmente, a unidade nacional nos seus termos atuais liga-se aos problemas decorrentes de varias revoluções armadas iniciadas a mais de duas décadas, e que foram claramente desnecessárias, e totalmente subjetivas nas suas razões e origens a um determinado grupo que nunca representou a maioria esmagadora de população e que não foram resolvidas até então.

A ruptura deste principio de união, ameaça o caráter unitária da nação, sendo que a transformação da estrutura interna  e da vida sensitiva do Estado  afasta do povo o controle politico, ou seja, a falta soberania popular, o destino do Pais permanece no terreno de relações de força.

Origem de tudo se deve a falta de liderança nas instancias superiores do Estado, falta de políticos de inegável carisma que conseguem exercer suas influencias na mobilização da base popular, fazendo ressurgir o espirito da Unidade, ou seja, falta poder de direção e de Comando.
Assim, luta pela unificação deve se basear no controle democrático daquele setor da vida politica que esteve, ate então, abandonado ao embate negocial, o povo. A perspectiva, hoje, seria aperfeiçoar meios para realização de escolhas democráticas e decisão da comunidade em transformar a situação através do sufrágio universal com equilíbrio e paz.
Vejamos o que o texto constitucional diz no seu artigo 3º, 1:
 A República da Guiné-Bissau, é um Estado de democracia constitucionalmente instituída, fundado na unidade nacional e na efetiva participação popular no desempenho, controle e direção das atividades públicas, e orientadas para a construção de uma sociedade livre e justa”.
Deparamos com a distorção ética que passou a vigorar no país nos últimos anos, Vivemos uma cultura que privilegia falsa vitória, falsa ordem, falsa estabilidade, falsa democracia acima de tudo, e, encoraja a desonestidade, são estes conjuntos de adjetivos que pioram e estacionam a vida da população.
De sorte que, na minha conclusão em relação à falta de Unidade na sua concepção inicial, deve-se a falta de motivação.
Na área da psicologia, Maslow e McClelland criaram suas teorias para motivação. Maslow disse que o homem se motiva quando suas necessidades são supridas, como a auto realização, autoestima, necessidades sociais, segurança e necessidades fisiológicas. McClelland, indicou três necessidades que são essenciais para a motivação: poder, afiliação e realização.
Enfim, para ter a unidade precisamos nos motivar unir as forças e os objetivos, com a mesma inspiração que há mais quatro décadas houve a convergência popular/combatentes para libertação nacional.

2. LUTA
 
 O termo Luta se revela ambíguo, muitas vezes isto se deve ao fato de ser usado em contextos diversos, podendo ser luta de mobilização para combater determinada situação pontual, ou, por outro lado, apresenta-se como a teoria de atuação concreta que deve ser perseguida insistentemente, diuturnamente, ou seja, uma ideologia que deve encarnar instituições politicas e as estruturas sócias do país.
A proposta fincada atualmente na Guiné-Bissau e nos últimos 40 anos, quando se trata da palavra LUTA, desvirtua-se claramente da projeção feita pelos verdadeiros combatentes da pátria, estes que hoje sofrem de abandono, desamparo estatal e da sociedade em geral.

Segundo nosso legislador, no artigo 5º, 1 e 2, a):

1 - A República da Guiné-Bissau proclama a sua gratidão eterna ao combatente que, pelo seu sacrifício voluntário, garantiu a libertação da Pátria do jugo estrangeiro, reconquistando a dignidade e o direito do nosso povo à liberdade, ao progresso e à paz.
“2 - A República da Guiné-Bissau considera como sua honra e dever:
a)                      - Agir no sentido de garantir uma existência condigna aos combatentes da liberdade da Pátria e, em particular, àqueles que pelo facto da sua participação na luta de libertação sofreram uma diminuição física que os torna, total ou parcialmente, incapazes para o trabalho e que são os primeiros credores do reconhecimento nacional(...)”

A expressão do texto da nossa carta maior designa os mais importantes desafios do Estado, e são à base de toda e qualquer sociedade que se pretende ser justa e igualitária. Entre eles, temos a Luta pelos Direitos Civis (de igualdade perante a lei e de ir e vir, por exemplo); Direitos Políticos (à liberdade de reunião; de associação; de votar e ser votado, entre outros), Direitos Sociais (à previdência social; à saúde), Direitos Culturais (à educação), Direitos Ambientais (de proteção, preservação e recuperação do meio ambiente), Direitos Econômicos (à moradia; ao trabalho; à terra).

 De forma singela, o poeta Bob Marley cantou assim:

“É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida”.

Os guineenses derrotaram o colonialismo português em todas as frentes: militar, política e diplomática. No entanto, me parece injustificável a nossa incapacidade de não conseguir vencer a luta pelo desenvolvimento, miséria, pela democracia, justiça social, pela dignidade das pessoas, etc. Temos obrigação de consagrar as aspirações daqueles que nos deram a tão sonhada liberdade/independência, que de forma exemplar conseguiram a UNIDADE, sacrificaram na LUTA, para tanto, a conquista de PROGRESSO é o nosso dever.


3. PROGRESSO
 
 Nos últimos anos, a ideia de progresso sofreu duro golpe, que pode representar também uma possibilidade de sua recuperação, pois a nossa historia percorreu um caminho descontinua estimulado pelas gritantes falhas na sua utilização, onde sempre ficou em segundo plano.

No início do século passado, o filósofo alemão Oswald Spengler imprimiu um tom pessimista à teoria do progresso. Para ele, “o progresso, seria um ser vivo, passa por fases DE CRESCIMENTO, MATURIDADE, DECADÊNCIA E MORTE”.

 A pergunta é o seguinte, Guiné-Bissau encontra-se em qual fase?

Acredito que estamos na etapa de maturidade, e o proposito deste progresso seria nunca entrar nas duas ultimas fases (decadência e morte), ou será que já estamos nas duas ultimas fases? Minha resposta é negativa para segunda hipótese.

No século XIX surgiu uma corrente de pensamento chamada positivismo, que teve o filósofo francês Auguste Comte como um dos seus defensores mais importantes. Ele defendia que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade, sendo que as especificações dos valores tomados como medidas ou critérios de progresso são sempre necessários, porém não devemos cair na armadilha do relativismo total, ou, na crença de um progresso absoluto.

Refletir sobre progresso implica celebrar o passado e traçar estratégias para avançar e monitorar, em um processo dinâmico, de alianças e definição de fronteiras entre atores da sociedade civil e o Estado.

Acompanhar a trajetória dinâmica da evolução nacional em busca do progresso permite compreender como a conquista da visibilidade social, o seu reconhecimento legal e a sua tradução em políticas públicas concretas, são frutos de uma luta política e da coletividade.

É necessária que haja uma permanente mobilização social no sentido de que direitos e princípios assegurados em leis e tratados internacionais se traduzam em comportamentos. Precisamos difundir e conhecer as leis, os planos, programas, pactos e outras iniciativas governamentais. Tomar ciência destas politicas é fundamental para assegurar a aplicação efetivo dos direitos neles garantidos.

Como definir estratégias para operacionalizar o que já existe? Como educar a sociedade? Como tornar a cidadania uma prática cotidiana? Como recorrer a legislações e mecanismos nacionais e internacionais de direitos humanos? Como proteger a Democracia? Como conquistar progresso? Estas questões são centrais na construção de agendas progressistas.

Assim o filosofo e advogado do antigo império Romano, Sêneca, descreveu a real importância do progresso:

“a parte mais importante do progresso é o desejo de progredir”.

Ainda, de forma sutil o escritor Frances Julien Green deu esta definição:

 “Único verdadeiro progresso é o progresso que muda interior das pessoas, sendo o progresso material um nada.”

A obrigação do Estado de garantir o progresso é absoluta e inescusável, da mesma forma que cabe à sociedade colaborar e exigir o cumprimento do previsto na nossa Constituição nacional como forma de preservar o que foi conquistado há mais de 40 anos, e, também, de assumir a obrigação de lutar para garantir um futuro digno para as próximas gerações.

CONCLUSÃO
 
 Desta feita, se conclui claramente que a Regressão social e econômica da Guiné-Bissau tem como responsáveis únicos e exclusivos a população em geral, políticos ou não, pois houve, infelizmente, clara distorção das frases UNIDADE, LUTA E PROGRESSO, para tanto, precisamos retornar as origens, refletir sobre e extrair a essência que motivou sua colocação como parte do símbolo nacional. 

Deixo para reflexão a frase poética do francês Auguste Comte:



“O Amor por princípio e a Ordem por base, o Progresso por fim.


Maringá-Pr, Brasil 2013


Ronelson Furtado Balde
Advogado